alguns ensaios publicados

Comunismo ácido e montagens espectrais: formas de agenciar futuros perdidos
ensaio publicado no livro reagrupar, reocupar . núcleo oco de arte(s) . ufsc . 2023
RESUMO
Este ensaio tem a intenção de aproximar o pensamento de Mark Fisher de alguns conceitos fundamentais de Walter Benjamin – como experiência, memória, história e montagem – tratando de apontar algumas contradições e potencialidades e, a partir do conceito de comunismo ácido, que estava sendo articulado por Fisher, pensar como é possível atualizar forças latentes que foram (e são) interrompidas pela brutalidade capitalista/neoliberal e mostrar como que através do gesto da montagem essas forças operam nas mais variadas manifestações culturais e artísticas, que sobrevivem, resistem e recusam um modelo de sociedade altamente fantasmagórica, homogeneizante, individualizante e tecnocrata.
A facilidade do acesso (ou o acelerado empobrecimento do gesto de montar)
ensaio publicado na revista história e cultura . unesp . 2021
RESUMO
Em Depois do futuro, Franco Berardi propõe que vivemos uma verdadeira mutação antropológica na infraestrutura social, que afeta tanto o psiquismo individual quanto o coletivo. Segundo ele, nossa incapacidade de absorver o excesso de informações que recebemos do ciberespaço faz do presente um tempo tão denso que o cérebro encontra dificuldades de se projetar para fora do momento presente, desembocando no que Berardi chama de o século sem futuro. Este ensaio propõe pensar essas questões trazidas por Berardi a partir de alguns conceitos de Walter Benjamin – em especial os de experiência, memória e história – e encontrar brechas, através de uma noção de montagem como gesto inerente ao pensamento, para articular com os espectros do passado, que rondam o século XXI, presentes que permanecem em estado de latência.
Algumas considerações sobre o cinema sonoro: história, técnica, fascismo e montagem
ensaio publicado no livro de todos os museus, o fogo . ufsc . 2019
RESUMO
Com o surgimento do cinema sonoro o público se reduziu às fronteiras linguísticas. Ao mesmo tempo, os interesses nacionais se enfatizavam através do fascismo. A simultaneidade desses fenômenos repousa na crise econômica que, como constata Benjamin, apressaram o capital cinematográfico no desenvolvimento do cinema falado e abriram, segundo Kittler, para a possibilidade da Segunda Guerra Mundial. Em 1938, numa carta escrita para Adorno, Benjamin indica que o surgimento do filme sonoro foi uma ação da indústria cinematográfica para conter a força revolucionária do cinema mudo, que suscitava reações difíceis de controlar e politicamente perigosas. Em 1928, Eisenstein, Pudovkin e Alexandrov publicavam uma Declaração sobre o futuro do cinema sonoro, na qual expõem suas preocupações com o uso redundante do som, que destruiria a cultura da montagem. Não estariam os cineastas russos preocupados justamente com o enfraquecimento dessa potência incontrolável do cinema mudo, da qual falaria mais tarde Benjamin? Porque a cultura da montagem estaria em risco caso prevalecesse o uso redundante do som? Como os cineastas russos indicam, esse uso redundante não estaria servindo para alimentar discursos inflexíveis? Será que a simples justaposição do som com a imagem era o que faltava para o fascismo se perpetuar?
Inland empire: o não-saber enquanto experiência de montagem
ensaio publicado na revista landa . ufsc . 2019
RESUMO
David Lynch afirma ter produzido Inland Empire sem um roteiro prévio. Durante três anos ele gravou diversas cenas sem saber como elas se conectariam, confiando na intuição e na ideia inicial que fez surgir o desejo de realizar o filme. Este ensaio propõe pensar a montagem como um gesto político inerente ao ser humano que, para além da técnica, pode ser sentida como experiência.
Memória, experiência e montagem
ensaio publicado na revista outra travessia . ufsc . 2017
RESUMO
Partindo das cartas recebidas por Tarkovski após o lançamento do filme O espelho e algumas ideias lançadas no seu livro Esculpir o tempo, este texto faz uma aproximação dos conceitos benjaminianos de narração, memória e experiência a uma ideia de montagem poética. Tarkovski fala que poesia é a consciência do mundo. No ensaio proponho, a partir de Benjamin, que poesia é a inconsciência do mundo. Uma montagem poética, para conservar sua potência, não deve partir do que já foi processado pela consciência, pois estaria apenas transformando potências em atos fechados. Quando Tarkovski fala em uma lógica poética, em contraponto à lógica “realista” da dramaturgia que se apoia em um enredo pré-determinado, proponho pensar numa falta de lógica. Na falta de lógica da narrativa poética o que se tem é uma operação do pensamento que se aproxima da experiência a partir do inconsciente do mundo. Uma montagem poética opera com impressões da memória e faz essa operação deixando as marcas daquele que monta. As impressões da memória são esquecimentos. São as fissuras provocadas no acontecimento objetivo pela subjetividade do autor. A subjetividade do autor é o esquecimento – que permanece como impressão – do “puro em si” da coisa narrada.